SobreSites > Poesia > Resenhas > Adriana Montenegro
Página Inicial do Guia
Editorial
Portais Poéticos
Poetas Consagrados
Contemporâneos
Poeta do Mês
Entrevistas
Resenhas
Adriana Montenegro
Artigos
Bibliotecas Virtuais
Concretismo & Afins
Cordel
Haikai
Revistas Eletrônicas
Associações
Publique
Eventos & Concursos
Fórum
Fale com o Editor
  Poesia
Luiz Alberto Machado
Editor do seu Guia de Poesia na Internet
Google
 
Web www.sobresites.com
ADRIANA MONTENEGRO

Saiba das atualizações por e-mail

Mergulho na poesia alada de Adriana Montenegro

Adriana Montenegro lançou recentemente o seu livro “Pássara” que tem reunido uma poesia original, substancial e de relevante prestígio, tanto de talento como de expressividade poética.

Conhecer a obra de Adriana Montenegro tem sido uma das mais agradáveis surpresas que me tem tomado nos últimos dias.

Logo que recebi o volume fiquei maravilhado com os poemas “Cerro Corá”, “Canção de Criança”, “Tainá”, “Comunhão”, “Rastro de Cobra” e muitos outros reunidos no volume “Pássara”, recentemente lançado pela Aeroplano Editora e aqui noticiado.

Agora falo do que vi no livro: mulher, ruas, anjos, acontecimentos, infâncias, momentos, dores & superações, alegrias e maturidade, brincadeiras e sangue, tudo num agradável caleidoscópio poético onde a autora se interioriza na sua comunhão exteriorizada na assimétrica catarse da sua poesia.

 

Bela, mui bela: poesia & poeta. Destaco “Canção de criança”:

 

Sete anjos me beijaram

Esta noite, na Lapa.

Sete vezes sete bocas

Sibilantes

Tocaram minh´alma

Em sete repartiram

O pão da minha fome.

 

Sete rostos descarnados

E um pão.

Sete e sete setecentos

Tantas vezes sete vezes

(não sei que reza

Ou multiplicação)

Um tiro

O chão.

 

Sete anjos, sorrindo

Me pediram um trocado

E partiram, dependurados

Nos bondes de sua agonia

De última viagem.

Mas não só isso!

 

Em “Cerro Corá”, por exemplo ela chega assim:

 

“ O que dei à vida

Nem sempre foi meu melhor.

Guardei-os pros tempos bons.

Vieram?

(...)

Catei, comprei, não serviu.

Reclamei, não trocaram.

E o melhor de mim?

(...)

Aperto os lábios,

Contenho as blasfêmias que euro gritar:

Deuses surdos, imprestáveis!...

(...)

E saem todos para o trabalho,

Levando consigo, em segredo

O meu melhor esquecido.

 

Em “Tainá”, por exemplo, ela reverbera:

 

(...) e mãos dadas olhar de candeio, cobalto

Felino, no amor de sempre.

(...)

“com jeito de não mais voltar ”.

 

E em “Rastro de Cobra”, arremata num dos versos:

 

“(...) Sou terra, pó que reveste o chão

Não cobiço o reino dos céus

Não desprezo os desejos da carne;

Nenhum mistério, evangelho ou deus.

Nasço e findo em mim mesma,

Sou meu próprio cerne ”.

 

Tudo vai se encaminhando para uma beleza de poema: “Quem me sonha

 

“Quem me sonha e não disse
(...)
Como ousa sonhar-me assim?”

Assim é Adriana Montenegro: poeta, artista visual, designer e cursa MBA em Relações Internacionais.

Publicou pela primeira vez em 1986,na Antologia Mitavaí,organizada por Ivan Cavalcanti Proença e,anos mais tarde, participou de outras.

A partir dos primeiros estímulos vieram as descobertas: o poder transformador das palavras e das idéias e o acontecimento do poema: ritmo, sensação e pensamento.Então a literatura passou a ser vida e a vida, experiência sensível,uma das fontes do pensamento poético.

O próprio Ivan Cavalcanti Proença, ensaísta, professor, Mestre e Doutor em Literatura, diz no prefácio do livro “Pássara”: “(...) Não há menor chance de uniformidade métrica (isometria) ou presença de esquema rítmico ao longo dos poemas. O que tem como conseqüência: o ritmo é tudo, não pode ser negligenciado. E, no caso, é o que sustenta com muita adequação-precisão o livro de Adriana. (...) As visitas ao cotidiano se envolvem com o jeito poético muito particular de Adriana – as mulheres que, na calçada, vendem sanduíches de berinjela, as crianças da Lapa, a mendiga louca e obscena, a estrada Juiz de Fora-Belo Horizonte (...) O reencontro do (com o ) ontem é rechaçado enquanto saudosismo, nostalgia plena. (...) Quando Adriana sente que caminha para a confissão, para os versos fortemente confessionais, desvia rumo temático, ritmo, imagens.(...) Afinal, o universo poético de Adriana tenciona aquela carga sonora com o mais alardeado lirismo e, em alguns momentos, com a lembrança da tradição oral, folguedos, de nossa gente (...) Resta ler, e sonhar, através dos versos de Adriana. Um livro para nossa história, relevante, de poesia”.

Com isso, recomendo aos amigos & amigas leitores, uma leitura ao livro “Pássara”. E para encontrá-lo, é só acessar a Aeroplano Editora na seção “Publique” deste Guia.

Projeto SobreSites | Sala de Imprensa | Usabilidade
Política de Privacidade | Condições de Uso | Torne-se Editor