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Luiz Alberto Machado
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SÉRGIO DE CASTRO PINTO

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O poeta, professor e jornalista Sérgio Castro Pinto nasceu em João Pessoa, na Paraíba, é formado em Direito e exerce a docência de Literatura Brasileira na Universidade Federal da Paraíba – UFPB.
O seu doutoramento ocorreu abordando temática alusiva a Manuel Bandeira e Mário Quintana. E hoje ocupa a cadeira de número 39 na Academia Paraibana de Letras, cujo patrono é o escritor José Lins do Rego.
Dentre suas obras estão: Gestos lúcidos, edições Sanhauá, 1967; A ilha na ostra, edições Sanhauá, 1970; Domicílio em trânsito, Civilização Brasileira, 1983; O cerco da memória, UFPB, 1993; A quatro mãos, 1996 (poesias, com ilustração de Flávio Tavares); Longe daqui, aqui mesmo(tese de doutorado – Mário Quintana); e Os paralelos insólitos, discurso de posse na APL.
Como poeta já participou de antologias poéticas publicadas em Portugal e Espanha. Nos Estados Unidos teve trechos do poema “Camões/Lampião” traduzidos por Fred Ellison, professor emérito da Universidade do Texas, e incluídos na coletânea “Camões Feast”. No Brasil participou de várias antologias como “Os cem melhores poetas brasileiros do século” e “Sincretismo: a poesia da geração 60”.
Sérgio de Castro Pinto também foi agraciado com prêmios em nível nacional e o mais recente deles foi o “Guilherme de Almeida”, promovido pela União Brasileira de Escritores, pela obra “Zôo imaginário”, considerada pela comissão julgadora o melhor livro de poesia do ano de 2005.
A sua poesia é bastante elogiada e obteve sucesso de crítica e público.

a zebra

            para manoel jaime xavier filho e silvino espínola


a zebra
é a edição
extra

de um cavalo
que virou
notícia


3x4

entro na fotografia
como quem do mundo
se homizia.
sem livrar o flagrante.
(instantâneo eu sei que sou
neste mundo lambe-lambe)
.


poeta x poema

 
nem sempre o poeta
ronda o poema
como uma fera à presa.
 
às vezes, fera presa e acuada
entre as grades do poema-jaula,
 
doma-o o chicote das palavras.
 
 
a coruja
 
são todo ouvidos
os teus olhos
de vigília
 
olhos acesos,
luzeiros
de sabedoria.
 
olhos atentos
à geografia
do dentro,
 
és uma concha.
 
um encorujado
caramujo.
 
monja em voto de silêncio.

 
 
as cigarras
 
são guitarras trágicas.
 
plugam-se/se/se/se/se
nas árvores
em dós sustenidos.
 
kipling recitam a plenos pulmões.
 
gargarejam
vidros
moídos.
 
o cristal dos verões.
 
 
a garça
 
na tarde gris,
a garça
encolhe a perna:
 
ariano saci
                        entre
                        vitórias-régias?

 
 
o pavão
 
são tantos olhos abertos
sobre a cauda polvilhados
 
que em leque entreaberto
há sempre quem o enxergue
 
qual um indiscreto
voyeur
em um narciso disfarçado

 
           
 
as frações do boi
 
o boi
nos chifres pressente:
armações futuras,
construções de pentes.
 
o pente
(mudo e capilar)
na cabeça pasta
sem ruminar. 
 



Nômade

acha que atritas,
o meu falo queima.
 
somos trogloditas
descobrindo o fogo.
 
crescem labaredas.
 
sob a braguilha
armo uma tenda
com a minha glande.
 
e o meu falto nômade
rumo à tua tenda
levanta campamento.

 
 
A Pedro Nava
 
se a linguagem da nava
é um bisturi afiado
 
que extirpa o presente
pra restaurar o passado,
 
pedro rola as pedras
dos seus dias.
 
e da base ao cume
de cada segundo,
 
Pedro suporta o peso do mundo.
 
 
  Sobre o medo
 
         o medo
         se aloja na medula
         como um cubo
         de gelo.
 
          o medo
         se infiltra no tinteiro
         e o congela.
 
         o medo
se instala na palavra
e a enregela.
 
com o medo
aprendi o ofício
de armazenar as palavras
como num frigorífico
 
com o medo conservo:
dez mil palavras
abaixo de zero.


Nesta pequena reunião de sua obra, fazemos a nossa homenagem a este grande poeta: Sérgio Castro Pinto.

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