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FERNANDO FIORESE 

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O poeta, professor e crítico Fernando Fiorese, que nasceu em Pirapetinga, Zona da Mata de Minas Gerais, faz parte desta inquietude civil, de uma visão que mais se completa na incompletude. "Arrasta um nome / com cuidados de / quem afina instrumentos". Residindo em Juiz de Fora (MG) desde 1972, participou do grupo de poetas, escritores, artistas plásticos e fotógrafos que, durante a década de 1980, editou o folheto de poesia Abre Alas e a revista D´Lira. Poeta e contista, publicou em 1982, "Leia, não é cartomante", ao qual se seguiram "Exercícios de vertigem & outros poemas" (1985) e "Ossário do mito" (1990), todos de poesia. 

Professor da Faculdade de Comunicação e do Programa de pós-graduação em Letras - mestrado em Teoria da Literatura da Universidade Federal de Juiz de Fora, obteve o título de Doutor em Ciência da Literatura/Semiologia na Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde integra o grupo de pesquisa ¨Estéticas de fim-de-século¨. Atuando como pesquisador nas áreas de literatura e imagem, colabora regularmente com coletâneas de ensaios e revistas especializadas. 

Em 1998, publicou "Trem e cinema: Buster Keaton on the railroad", premiado no II Festival Universitário de Literatura promovido pela Xerox do Brasil e revista Livro Aberto. Destaque para o III Prêmio Nacional Scortecci de Poesia (1984), I Concurso ¨Fritz Teixeira de Salles¨ de poesia (1982), I Concurso Nacional de Contos da UFJF (1982) e III Concurso de Contos prêmio ¨Clarice Lispector¨ da Universidade Federal de Uberlândia (1982). 

Poemas, contos e ensaios de sua autoria figuram em jornais, revistas e suplementos brasileiros, bem como em publicações editadas em outros países. 

Em 2002, reuniu toda a sua produção poética de 1986 a 2000 no livro "Corpo portátil", publicado em São Paulo pela Escrituras Editora. "Corpo portátil (1986-2000)" reúne, além do livro homônimo escrito entre 1998 e 2000, outros dois títulos inéditos ? Pequeno livro de linhagens (1997-1998) e A primeira dor (1994-1998) ?, bem como Ossário do mito (1986-1989), versão reescrita da brochura editada às expensas do autor em 1990, abrangendo 15 anos da produção poética do escritor, ensaísta e professor Fernando Fiorese, "demonstrando um desencantamento com a linguagem", expresso em três signos complementares: "furor, ferida, frase" (a tríade lembra curiosamente as iniciais do próprio autor). 

O escritor recorre ao mundo artesanal para impor sentido e ordem aos estratos da memória. O que justifica a preferência pelo bordado e profissões manuais. Há uma nostalgia do contato direto com as coisas, da feitura pessoal e do clima primevo das relações familiares. Os retratos são sem datas, justificando o extravio temporal. Tudo se movimenta pela incerteza, dúvida e tentativa de se definir em meio aos vestígios de ter sido. É o exílio em plena intimidade, o desterro gradual de perder lentamente a infância. Os sinais são visíveis ao longo da antologia: "filiação incerta", "farto das coisas que não teve", "a distância da matéria antiga", "árvore sem raízes". Suas metáforas são da carência, do desfalque, do desaparecimento, feitas a partir da amputação da totalidade. É como se o autor chegasse tarde em seu livro, inventariando a terra já devastada (The Waste Land).

Sobre o livro "Corpo portátil", o imortal poeta e escritor Carlos Nejar considerou que a obra "demarca quanto a arte da poesia contemporânea é fundação das coisas, pesquisa do solo, afundamento das raízes, mistério da memória e recriação do destino. Assim, granítica, lavrada na Zona da Mata do coração, esta poesia se destaca, com sotaque peculiar, numa geração de grandes poetas de Minas e do Brasil, como Iacyr Anderson Freitas, Edimilson de Almeida Pereira e Júlio Polidoro. E já pode ser vista com abrangência e horizonte partilhado, em luz forte e, às vezes, inoportuna, criando seus portáteis esconderijos de memória. [...] Há todo um caminho de cultura nesta poesia, da erudição de corpos e ossos, mas também de severa matemática do verso. Engenheiro? Não, instrutor de pontes, dançarino de rumores. Como se andasse numa morte, reivindicando o corpo". 

A poeta, escritora e tradutora Olga Savary comentou o "Corpo Portátil", considerando que "Sua palavra é estatura de recusa mas também de entrega, palavra que instaura no dono sua medida de homem que se cabe e se ultrapassa. Fiorese, magnífico alfaiate do texto (mencionando a profissão de que tanto fala), costura Corpo portátil (1986-2000) em linhagens de maestria, tal outros da família na costura propriamente dita. E canta soberanamente sua Minas particular e universal. Avisa o poeta: escrever é vingança, uma onda sob o sapato, onde palavras são diques quando ele diz todo o oceano".


Site do Poeta: http://www.revista.ufjf.br/fiorese 

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