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Luiz -
A
seu ver, a Internet tem contribuído para
a difusão e divulgação de novos escritores
e novos poetas? |
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GD – Sim. Bastante. A Internet tem
feito uma revolução na literatura. São
milhares de autores de todos os níveis. Temos
bons escritores, os medianos e os medíocres,
como em tudo na vida. Tem gente que acha que qualquer
coisa que escreva seja literatura ou poesia, não é bem
assim. Para chegar a ser um bom poeta, tem que se ralar
muito, além de boa inspiração,
tem que ter talento e muita transpiração,
muita leitura dos bons poetas e da literatura em geral,
muito esforço, muito trabalho e empenho permanente...Tenho
visto boas obras na Internet em sites e portais de
alto nível como o Guia de Poesia e o Boletim
Nascente, coordenado por Luiz Albero Machado, O magistral
Jornal de Poesia, do criativo e dinâmico Soares
Feitosa, nosso Sindescritores, a AVBL, de Maria Inês
Simões, o Grupo Palavreiros e Poética
Social, do poeta José Geraldo Neres, O Grupo
Vânia Diniz, Usina de Letras, Pórtico,
a ABRAVILI, a Academia Literária, Garganta da
Serpente, Officina da Palavra, Nave da Palavra, da
escritora Ana Peluso, Grupos LunaeAmigos, Escritas,
Ateneu, Águia Real, Nozarte, Heraldo Lage, Vanderli
Medeiros, Sales Albuquerque, Portal da Unesco, Revista
Agulha, Triplov e outros importantes grupos, sites
e portais tão significativos quanto os citados. |
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Luiz -
Como se dá a opção de publicar
o livro impresso e a atual vertente do livro virtual?
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| GD
– O livro impresso para ser publicado tem
algumas opções: Para o autor principiante
e pouco conhecido no mercado editorial, dá-se
quase sempre às próprias custas ou
financiado por parentes e amigos. Aos bem-aventurados
e ungidos que conseguem uma editora de bom nível,
dá-se depois de muitos sacrifícios
e labutas. Paulo Coelho é um bom exemplo,
seus primeiros livros quase não venderam...Depois,
sabemos do grande sucesso comercial... Publicação
de poesia é muito difícil, os editores
não gostam de correr riscos, preferem publicar
o que acham que dá lucro: livros didáticos,
acadêmicos, livros infantis, biografias, romances
e edições garantidas para divulgações
governamentais e que sejam adotadas nas escolas,
o que demanda muita publicidade, convencimento e
divulgação dos editores, livreiros
e agentes literários. Publiquei 9 livros,
3 teses/monografias livretos e alguns folhetos de
cordel, 90% às próprias custas. Só 2
folhetos foram publicados com apoio institucional,
também publiquei alguns poemas isolados para
distribuição em massa, geralmente cordéis
e manifestos. Consegui divulgar poemas e textos em
alguns jornais e revistas literárias, já faz
algum tempo. Revistas Dimensão, Bric-a Brac,
Lavra, Víbora, DF Letras. Recitei vários
poemas em telejornais da Rede Globo, Globo News,
CNN, TV Brasília, Tv Nacional, Bandeirantes,
Net, Apoio, Gazeta, Câmara,UnB, Rádios
CBN, Senado, Planalto,Brasília FM, entre outros
canais de tv e emissoras de rádio. Falo isso
para retratar o forte aspecto oral de minha poesia.
Hoje torna-se cada vez mais difícil a divulgação
da poesia pela mídia, é um fato raro. É preciso
que se divulgue mais poesia e mais literatura. O
espaço da mídia está quase todo
voltado para o rock e manifestações
de pouca relevância, o que é uma pena.
Urge mais consciência por parte dos editores
e produtores midiáticos para uma melhor divulgação
de livros, da poesia e da literatura como um todo.
Como dizia Castro Alves: "Oh! bendito o que
semeia livros, livros à mão cheia".
Ouçam a voz do condoreiro e pratiquem. Quanto à vertente
do livro virtual, vem crescendo cada vez mais na
Internet e é uma boa opção de
divulgação para os autores iniciantes
e que não possuem uma editora que os publique.
Geralmente o livro é disposto para cópia
dos leitores de forma gratuita, também fiz
esta opção. Meu livro Phalábora
e outros textos estarão à disposição
do público, que nada pagará pela leitura.
Os custos são menores. É um investimento
no futuro. Quem sabe alguma editora resolva correr
o risco e editar um poeta de Brasília, de
Pernambuco, de Alagoas? Creio que não decepcionarei
aqueles que porventura venham a conhecer e apreciar
o meu trabalho. Disponho tb de textos publicados
na Usina de Letras www.usinadeletras.com.br e em
2 sites pessoais: www.poetagustavodourado.com.br
www.gustavodourado.com.br |
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Luiz -
9. Você agora está publicando o Phalábora,
como é que se deu esta empreitada?
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| GD
– Prezado Luiz Alberto Machado...O Phalábora
tem me dado muito trabalho ao longo dos últimos
6 anos... é uma empreitarefa difícil,
entretanto sinto que vale a pena. Primeiro fiz uma
edição normal em 1997, com mil exemplares,
que esgotou rapidamente. Fiz lançamentos em
Brasília, na Bienal do Rio(inclusive com uma
entrevista à jornalista Maria Beltrão
no Jornal das 10, da Globo News e em programa da TV
Nacional) e na Livraria do Museu, no Palácio
do Catete, com o apoio da luminosa escritora Olga Savary, à época
Presidente do Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro.
Fiz também lançamentos na Bahia, em Salvador,
em Paracatu-MG e em Luziânia- Goiás. O
livro teve uma boa acolhida da crítica e da
imprensa literária. Publiquei poucos exemplares
por conta própria e não deu pro gasto.
Foi uma edição simples, sem muitos atrativos
visuais. Em 1997, no Teatro Nacional de Brasília,
Toninho de Sousa, um grande artista, colorista e performático
brasiliense, gostou do livro e me presenteou depois,
com belíssimas ilustrações. Fui
selecionada pela Comissão Editorial da Bahia
que fez uma análise acurada do livro e recebeu
os originais para publicação. Eles queriam
publicar o livro no formato tradicional , sem as ilustrações,
o que descaracterizaria o belo trabalho do Toninho
de Sousa... Só autorizarei qualquer publicação,
com as ilustrações do Toninho. Por isso
optei pela Internet e sei que o trabalho ficará bom
pois teve a perícia de formatação
de Maria Inês Simões, escritora talentosa
e fundadora da AVBL www.avbl.com.br e o aval introdutório,
do dinâmico e instigante Poeta, Luiz Alberto
Machado. Tenho muita esperança no sucesso do
Phalábora e conto com o seu incentivo e entusiasmo.
Publiquei uma versão simplificada do Phalábora
em meu site www.gustavodourado.com.br e no site da
brilhante escritora, pesquisadora e amiga Vânia
Diniz www.vaniadiniz.pro.br , um dos melhores portais
da Internet. Tentei várias vezes a publicação
por editoras e na internet, sempre com dificuldades
e imperícias técnicas e chantagens de
alguns web designers. Por fim encontrei a Inês,
que deu conta do recado e muito bem, é uma grande
profissional. Estamos na empreitada dia e noite, ela
em Bauru, eu em Brasília, para realizarmos um
trabalho de bom nível. Muito me honra a sua
apresentação, Luiz Alberto, tão
bem elaborada, no aval introdutório, também
os comentários da Inês e o prefácio
da jornalista Maria Félix. Phalábora é elaboração,
muito labor fálico e phálico, uma antropofálica
mistura, muito suor, contínua transpiração
e com alguma inspiração da musa divina.
Espero que dê um bom retorno e que seja apreciada
pelo público. Phalábora é Fala
e-labor.ação É uma via.gen nas
vias da lin.gua-gen É um gen visa.gem via labor É uma
aleivosia na voz dalchemia... Com Phalábora,
busco despretensiosamente, uma síntese de experiências
lingüísticas no universo mágico
da palavra, bebendo em linguagem trovadoresca, na literatura
de cordel, na cabala, na mística, nos mistérios
da espiritualidade, com um tempero Róseo-Joyciano
e pitadas faustinas - raulzitas - torquatianas e na
transe glauberiana do Cinema Novo e na vertente de
los campos e na sabedoria gullariana, na verve de no
nosso condor libertário, sem esquecer dos mestres
Gregório de Matos, Ruy, Vieira, Jorge Amado,
Murilo Mendes, João Cabral de Melo Neto, Manoel
de Barros, Cora Coralina, Patativa do Assaré,
Zé Limeira, Jorge de Lima, Cego Aderaldo, Vinícius
de Moraes, Camões, Pessoa, Cecília Meireles,
Chico Buarque, Caetano Veloso, Raul Seixas, Graciliano
Ramos, Lima Barreto, Câmara Cascudo, Carlos Drummond
de Andrade, Machado de Assis e Guimarães Rosa.
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Luiz - Você possui
um universo amplíssimo de influências
que vai desde as manifestações enraizadas
no Nordeste, passando pela dicção pós-moderna
até uma visão mística universalizante
e com destino ao visual. Fala então do processo
de criação e formação
do poeta e escritor Gustavo Dourado?
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| GD
– Meu processo de criação é amplo
e´ às vezes simples...quando cordelo,
elaboro a linguagem da poesia viva, da poesia oral,
presente na criatividade de nosso povo...o cordel é poesia
pura, tem do mais simples até o mais elaborado...é uma
linguagem riquíssima que influenciou grande
escritores e artistas como Gláuber Rocha,
Raul Seixas, Chico Science, Jorge Amado e Guimarães
Rosa... Em mim o cordel vem do berço, de nascença...
aprendi ler em cordel ouvindo os cantadores repentistas,
emboladores, coquistas, trovadores, contadores de
história... Convivi muito com pernambucanos,
alagoanos, paraibanos e nordestinos em geral, lá nos
primórdios de minha infância. Meu pai
foi lavra.dor de dia e dono de venda à noite
e nos fins de semana...sempre ouvia causos e cantos,
contos, loas, aboios, lendas, estórias da
carochinha...o sertão é repleto de
histórias, mistérios e superstições. É riquíssimo
o misticismo da caatinga e do cerrado. Misturei a
mística da Chapada Diamantina e do Rio São
Francisco, com a magia e a modernidade do Planalto
Central, a inovação construtiva e arquitetônica
de Brasília. Aqui, convivo com artistas de
todas as tendência e matizes. Busca-se uma
nova arte que sintetise a vertente sertaneja com
a pós-moderna...Creio que Phalábora
seja um pouco dessa mistura entre o erudito e o popular,
entre o concreto e o abstrato, com pinceladas do
místico e doses do dialético...A minha
criação dá-se no cotidiano, é flexível
e variável, sou um matuto com trejeito de
intelectual, trans-piro com a palavra, respiro o
verso a cada instante, leio sempre, admiro (a)os
mestres da linguagem, Machado, Graciliano, Pessoa,
Joyce e Guimarães Rosa, por excelência.
Tem também o lado bíblico, apocalítico,
profético, glauberiano, proveniente do misticismo
sertanejo e ecológico do Cerrado e da Magia
da Chapada Diamantina e do Planalto candango. Meu
misticismo é cósmico, vai de Apocalipse,
Padre Cícero, Frei Damião, Lampião,
Antônio Conselheiro até Tia Neiva, Yokannam,
Pietro Ubaldi, General Uchôa, São Francisco
de Assis, Chico Xavier, Vedas, Mahabarata, Aknaton,
Plêiades, Tutankamon, Ybez, Fawcett, até o
universo dos governantes invisíveis, do misterioso
desconhecido, dos mistérios da umbanda, dos
orixás, dos xamãs e pajés, até à sabedoria
iniciatica das idades, da teosofia, Teurgia, Eubiose,
da cabala/caabala, dos povos antigos, dos incas,
dos egípcios e dos maias...Sou um espiritualista
com os pés no chão. Um pan-materialista
trans dial ético nas estrelas e no cosmos...sem
esquecer a realidade do dia-a-dia e da noite - a
- noite de nossa sagrada Poesia de cada momento... |
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Luiz - Que
projetos tem por desenvolver? Diversos projetos pessoais
e coletivos...
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GD
– Posso elencar os principais: Criação
do Sindicato dos Escritores Virtuais, com representações
virtuais em todo Brasil e contatos com escritores
e jornalistas internautas pelo mundo afora, reforçando
e dinamizando os direitos autorais...o nosso Sindescritores
www.sindescritores.com.br www.sindescritores.hpg.com.br É um
prenúncio, um embrião...dependemos
de tempo e de recursos financeiros para ampliar a
proposta. Organizar um escritório de direitos
autorais no real e no virtual, para dar assistência
aos nossos autores. Criar uma cooperativa editorial
e uma distribuidora independente para edição
e distribuição do livro dos autores
não contemplados pelo mercado editorial. Instituir
a Literatura Brasileinse nas escolas, univesidades
e faculdades do Distrito Federal. Conquistar a reativação
do Instituto Nacional do Livro, com uma atuação
mais dinâmica e democrática e incentivar
e conquistar a criação do Intituto
do Livro do Distrito Federal Conseguir a instalação
de bibliotecas públicas de bom nível,
em todos os municípios brasileiros. Lutar
e conquistar a regulamentação da profissão
de escritor Criar o jornal Escriba Virtual e prossseguir
com o Escriba impresso. Criar links na Internet e
no site do Sindescritores para cada um de nossos
escritores filiados Transformar o site do Sindescritores
www.sindescritores.com.br em um portal literário
de alto nível e que ganhe o reconhecimento
do público-leitor. Conseguir quebrar as barreira
da mídia para divulgar nossos poetas e escritores.
Tenho tb alguns projetos pessoais: Editar meus diversos
livros por uma boa editora e distribuí-los
pela escolas, livrarias, espaços culturais
e bibliotecas. Gravar CDs com meus melhores poemas.
Organizar antologias e coletâneas de meu trabalho
e de outros escritores. Fazer mais palestras e conferências,
em escolas e universidades. Realizar algumas viagens
de pesquisas e estudos literários. Concretizar
o sonho de todo escritor, sobreviver com o trabalho
literário. Meus agradecimentos a você Luiz
Alberto Machado, tão destacado escritor e
divulgador, pela excelente oportunidade de divulgar
o meu trabalho, por meio desta entrevista. Deus salve
a Literatura Paz e Luz para o mundo e para todos
nós... Grato. Fraternalmente, Gustavo Dourado
http://www.gustavodourado.com.br
http://www.poetagustavodourado.hpg.com.br http://www.sindescritores.com.br
www.sindescritores.hpg.com.br http://geocities.com/sindescrdf/index.htm |
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