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Luiz Alberto Machado
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GUSTAVO DOURADO - Entrevista (página 2 de 2)
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Luiz - A seu ver, a Internet tem contribuído para a difusão e divulgação de novos escritores e novos poetas?

GD – Sim. Bastante. A Internet tem feito uma revolução na literatura. São milhares de autores de todos os níveis. Temos bons escritores, os medianos e os medíocres, como em tudo na vida. Tem gente que acha que qualquer coisa que escreva seja literatura ou poesia, não é bem assim. Para chegar a ser um bom poeta, tem que se ralar muito, além de boa inspiração, tem que ter talento e muita transpiração, muita leitura dos bons poetas e da literatura em geral, muito esforço, muito trabalho e empenho permanente...Tenho visto boas obras na Internet em sites e portais de alto nível como o Guia de Poesia e o Boletim Nascente, coordenado por Luiz Albero Machado, O magistral Jornal de Poesia, do criativo e dinâmico Soares Feitosa, nosso Sindescritores, a AVBL, de Maria Inês Simões, o Grupo Palavreiros e Poética Social, do poeta José Geraldo Neres, O Grupo Vânia Diniz, Usina de Letras, Pórtico, a ABRAVILI, a Academia Literária, Garganta da Serpente, Officina da Palavra, Nave da Palavra, da escritora Ana Peluso, Grupos LunaeAmigos, Escritas, Ateneu, Águia Real, Nozarte, Heraldo Lage, Vanderli Medeiros, Sales Albuquerque, Portal da Unesco, Revista Agulha, Triplov e outros importantes grupos, sites e portais tão significativos quanto os citados.

Luiz - Como se dá a opção de publicar o livro impresso e a atual vertente do livro virtual?

GD – O livro impresso para ser publicado tem algumas opções: Para o autor principiante e pouco conhecido no mercado editorial, dá-se quase sempre às próprias custas ou financiado por parentes e amigos. Aos bem-aventurados e ungidos que conseguem uma editora de bom nível, dá-se depois de muitos sacrifícios e labutas. Paulo Coelho é um bom exemplo, seus primeiros livros quase não venderam...Depois, sabemos do grande sucesso comercial... Publicação de poesia é muito difícil, os editores não gostam de correr riscos, preferem publicar o que acham que dá lucro: livros didáticos, acadêmicos, livros infantis, biografias, romances e edições garantidas para divulgações governamentais e que sejam adotadas nas escolas, o que demanda muita publicidade, convencimento e divulgação dos editores, livreiros e agentes literários. Publiquei 9 livros, 3 teses/monografias livretos e alguns folhetos de cordel, 90% às próprias custas. Só 2 folhetos foram publicados com apoio institucional, também publiquei alguns poemas isolados para distribuição em massa, geralmente cordéis e manifestos. Consegui divulgar poemas e textos em alguns jornais e revistas literárias, já faz algum tempo. Revistas Dimensão, Bric-a Brac, Lavra, Víbora, DF Letras. Recitei vários poemas em telejornais da Rede Globo, Globo News, CNN, TV Brasília, Tv Nacional, Bandeirantes, Net, Apoio, Gazeta, Câmara,UnB, Rádios CBN, Senado, Planalto,Brasília FM, entre outros canais de tv e emissoras de rádio. Falo isso para retratar o forte aspecto oral de minha poesia. Hoje torna-se cada vez mais difícil a divulgação da poesia pela mídia, é um fato raro. É preciso que se divulgue mais poesia e mais literatura. O espaço da mídia está quase todo voltado para o rock e manifestações de pouca relevância, o que é uma pena. Urge mais consciência por parte dos editores e produtores midiáticos para uma melhor divulgação de livros, da poesia e da literatura como um todo. Como dizia Castro Alves: "Oh! bendito o que semeia livros, livros à mão cheia". Ouçam a voz do condoreiro e pratiquem. Quanto à vertente do livro virtual, vem crescendo cada vez mais na Internet e é uma boa opção de divulgação para os autores iniciantes e que não possuem uma editora que os publique. Geralmente o livro é disposto para cópia dos leitores de forma gratuita, também fiz esta opção. Meu livro Phalábora e outros textos estarão à disposição do público, que nada pagará pela leitura. Os custos são menores. É um investimento no futuro. Quem sabe alguma editora resolva correr o risco e editar um poeta de Brasília, de Pernambuco, de Alagoas? Creio que não decepcionarei aqueles que porventura venham a conhecer e apreciar o meu trabalho. Disponho tb de textos publicados na Usina de Letras www.usinadeletras.com.br e em 2 sites pessoais: www.poetagustavodourado.com.br www.gustavodourado.com.br

Luiz - 9. Você agora está publicando o Phalábora, como é que se deu esta empreitada?

GD – Prezado Luiz Alberto Machado...O Phalábora tem me dado muito trabalho ao longo dos últimos 6 anos... é uma empreitarefa difícil, entretanto sinto que vale a pena. Primeiro fiz uma edição normal em 1997, com mil exemplares, que esgotou rapidamente. Fiz lançamentos em Brasília, na Bienal do Rio(inclusive com uma entrevista à jornalista Maria Beltrão no Jornal das 10, da Globo News e em programa da TV Nacional) e na Livraria do Museu, no Palácio do Catete, com o apoio da luminosa escritora Olga Savary, à época Presidente do Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro. Fiz também lançamentos na Bahia, em Salvador, em Paracatu-MG e em Luziânia- Goiás. O livro teve uma boa acolhida da crítica e da imprensa literária. Publiquei poucos exemplares por conta própria e não deu pro gasto. Foi uma edição simples, sem muitos atrativos visuais. Em 1997, no Teatro Nacional de Brasília, Toninho de Sousa, um grande artista, colorista e performático brasiliense, gostou do livro e me presenteou depois, com belíssimas ilustrações. Fui selecionada pela Comissão Editorial da Bahia que fez uma análise acurada do livro e recebeu os originais para publicação. Eles queriam publicar o livro no formato tradicional , sem as ilustrações, o que descaracterizaria o belo trabalho do Toninho de Sousa... Só autorizarei qualquer publicação, com as ilustrações do Toninho. Por isso optei pela Internet e sei que o trabalho ficará bom pois teve a perícia de formatação de Maria Inês Simões, escritora talentosa e fundadora da AVBL www.avbl.com.br e o aval introdutório, do dinâmico e instigante Poeta, Luiz Alberto Machado. Tenho muita esperança no sucesso do Phalábora e conto com o seu incentivo e entusiasmo. Publiquei uma versão simplificada do Phalábora em meu site www.gustavodourado.com.br e no site da brilhante escritora, pesquisadora e amiga Vânia Diniz www.vaniadiniz.pro.br , um dos melhores portais da Internet. Tentei várias vezes a publicação por editoras e na internet, sempre com dificuldades e imperícias técnicas e chantagens de alguns web designers. Por fim encontrei a Inês, que deu conta do recado e muito bem, é uma grande profissional. Estamos na empreitada dia e noite, ela em Bauru, eu em Brasília, para realizarmos um trabalho de bom nível. Muito me honra a sua apresentação, Luiz Alberto, tão bem elaborada, no aval introdutório, também os comentários da Inês e o prefácio da jornalista Maria Félix. Phalábora é elaboração, muito labor fálico e phálico, uma antropofálica mistura, muito suor, contínua transpiração e com alguma inspiração da musa divina. Espero que dê um bom retorno e que seja apreciada pelo público. Phalábora é Fala e-labor.ação É uma via.gen nas vias da lin.gua-gen É um gen visa.gem via labor É uma aleivosia na voz dalchemia... Com Phalábora, busco despretensiosamente, uma síntese de experiências lingüísticas no universo mágico da palavra, bebendo em linguagem trovadoresca, na literatura de cordel, na cabala, na mística, nos mistérios da espiritualidade, com um tempero Róseo-Joyciano e pitadas faustinas - raulzitas - torquatianas e na transe glauberiana do Cinema Novo e na vertente de los campos e na sabedoria gullariana, na verve de no nosso condor libertário, sem esquecer dos mestres Gregório de Matos, Ruy, Vieira, Jorge Amado, Murilo Mendes, João Cabral de Melo Neto, Manoel de Barros, Cora Coralina, Patativa do Assaré, Zé Limeira, Jorge de Lima, Cego Aderaldo, Vinícius de Moraes, Camões, Pessoa, Cecília Meireles, Chico Buarque, Caetano Veloso, Raul Seixas, Graciliano Ramos, Lima Barreto, Câmara Cascudo, Carlos Drummond de Andrade, Machado de Assis e Guimarães Rosa.

Luiz - Você possui um universo amplíssimo de influências que vai desde as manifestações enraizadas no Nordeste, passando pela dicção pós-moderna até uma visão mística universalizante e com destino ao visual. Fala então do processo de criação e formação do poeta e escritor Gustavo Dourado?

GD – Meu processo de criação é amplo e´ às vezes simples...quando cordelo, elaboro a linguagem da poesia viva, da poesia oral, presente na criatividade de nosso povo...o cordel é poesia pura, tem do mais simples até o mais elaborado...é uma linguagem riquíssima que influenciou grande escritores e artistas como Gláuber Rocha, Raul Seixas, Chico Science, Jorge Amado e Guimarães Rosa... Em mim o cordel vem do berço, de nascença... aprendi ler em cordel ouvindo os cantadores repentistas, emboladores, coquistas, trovadores, contadores de história... Convivi muito com pernambucanos, alagoanos, paraibanos e nordestinos em geral, lá nos primórdios de minha infância. Meu pai foi lavra.dor de dia e dono de venda à noite e nos fins de semana...sempre ouvia causos e cantos, contos, loas, aboios, lendas, estórias da carochinha...o sertão é repleto de histórias, mistérios e superstições. É riquíssimo o misticismo da caatinga e do cerrado. Misturei a mística da Chapada Diamantina e do Rio São Francisco, com a magia e a modernidade do Planalto Central, a inovação construtiva e arquitetônica de Brasília. Aqui, convivo com artistas de todas as tendência e matizes. Busca-se uma nova arte que sintetise a vertente sertaneja com a pós-moderna...Creio que Phalábora seja um pouco dessa mistura entre o erudito e o popular, entre o concreto e o abstrato, com pinceladas do místico e doses do dialético...A minha criação dá-se no cotidiano, é flexível e variável, sou um matuto com trejeito de intelectual, trans-piro com a palavra, respiro o verso a cada instante, leio sempre, admiro (a)os mestres da linguagem, Machado, Graciliano, Pessoa, Joyce e Guimarães Rosa, por excelência. Tem também o lado bíblico, apocalítico, profético, glauberiano, proveniente do misticismo sertanejo e ecológico do Cerrado e da Magia da Chapada Diamantina e do Planalto candango. Meu misticismo é cósmico, vai de Apocalipse, Padre Cícero, Frei Damião, Lampião, Antônio Conselheiro até Tia Neiva, Yokannam, Pietro Ubaldi, General Uchôa, São Francisco de Assis, Chico Xavier, Vedas, Mahabarata, Aknaton, Plêiades, Tutankamon, Ybez, Fawcett, até o universo dos governantes invisíveis, do misterioso desconhecido, dos mistérios da umbanda, dos orixás, dos xamãs e pajés, até à sabedoria iniciatica das idades, da teosofia, Teurgia, Eubiose, da cabala/caabala, dos povos antigos, dos incas, dos egípcios e dos maias...Sou um espiritualista com os pés no chão. Um pan-materialista trans dial ético nas estrelas e no cosmos...sem esquecer a realidade do dia-a-dia e da noite - a - noite de nossa sagrada Poesia de cada momento...

Luiz - Que projetos tem por desenvolver? Diversos projetos pessoais e coletivos...

GD – Posso elencar os principais: Criação do Sindicato dos Escritores Virtuais, com representações virtuais em todo Brasil e contatos com escritores e jornalistas internautas pelo mundo afora, reforçando e dinamizando os direitos autorais...o nosso Sindescritores www.sindescritores.com.br www.sindescritores.hpg.com.br É um prenúncio, um embrião...dependemos de tempo e de recursos financeiros para ampliar a proposta. Organizar um escritório de direitos autorais no real e no virtual, para dar assistência aos nossos autores. Criar uma cooperativa editorial e uma distribuidora independente para edição e distribuição do livro dos autores não contemplados pelo mercado editorial. Instituir a Literatura Brasileinse nas escolas, univesidades e faculdades do Distrito Federal. Conquistar a reativação do Instituto Nacional do Livro, com uma atuação mais dinâmica e democrática e incentivar e conquistar a criação do Intituto do Livro do Distrito Federal Conseguir a instalação de bibliotecas públicas de bom nível, em todos os municípios brasileiros. Lutar e conquistar a regulamentação da profissão de escritor Criar o jornal Escriba Virtual e prossseguir com o Escriba impresso. Criar links na Internet e no site do Sindescritores para cada um de nossos escritores filiados Transformar o site do Sindescritores www.sindescritores.com.br em um portal literário de alto nível e que ganhe o reconhecimento do público-leitor. Conseguir quebrar as barreira da mídia para divulgar nossos poetas e escritores. Tenho tb alguns projetos pessoais: Editar meus diversos livros por uma boa editora e distribuí-los pela escolas, livrarias, espaços culturais e bibliotecas. Gravar CDs com meus melhores poemas. Organizar antologias e coletâneas de meu trabalho e de outros escritores. Fazer mais palestras e conferências, em escolas e universidades. Realizar algumas viagens de pesquisas e estudos literários. Concretizar o sonho de todo escritor, sobreviver com o trabalho literário. Meus agradecimentos a você Luiz Alberto Machado, tão destacado escritor e divulgador, pela excelente oportunidade de divulgar o meu trabalho, por meio desta entrevista. Deus salve a Literatura Paz e Luz para o mundo e para todos nós... Grato. Fraternalmente, Gustavo Dourado

http://www.gustavodourado.com.br http://www.poetagustavodourado.hpg.com.br http://www.sindescritores.com.br www.sindescritores.hpg.com.br http://geocities.com/sindescrdf/index.htm

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